sábado, 28 de abril de 2012

III Taça Kaizen - Balanço final



Pavilhão Municipal de Casal de Cambra, 28 de abril... III Taça Kaizen. A oportunidade de vermos em prestação de prova, vários karatekas, de várias idades, em várias provas, de vários Dojos.
Muita criançada em alarido constante que só acalmava (ou não) quando prestava provas. Eu fiquei com a prova de kata que é onde me sinto mais à vontade. Algumas das provas tiveram o poder de revelar o nervosismo e a dificuldade em "fechar a mente" deixando a kata fluir. Mesmo as katas bem treinadas, por vezes, são impedidas de ganhar por imprecisões ou até esquecimento do seu esquema, fruto dos nervos e da pressão gerada por uma sala cheia de gente a observar e um painel de arbitragem a avaliar. Mas é mesmo assim, um karateka tem de aprender a abstraír-se do resto e a deixar a kata manifestar-se. 
Depois de observar atentamente os desempenhos, chego à conclusão que é de grande importância os instrutores reunirem-se em treino de vez em quando, tentando chegar a algum consenso no que diz respeito a interpretações de movimentos da kata. 
O saldo acho que foi muito positivo. Os jovens karatekas souberam enriquecer o evento com as suas prestações. É bonito ver os jovens cumprindo o ritual da saudação sempre que começam e acabam a prova, começando pelo adversário. Isto é o que o karate representa - o respeito primeiro. Não houve um único participante no meu tatami que não cumprisse o ritual da saudação - bonito.
Foi também uma oportunidade de estar novamente entre amigos e colegas de "luta" - Armando Inocentes, Leonardo Pereira, Nelson Gomes, Nuno Santos, Rui Catarrinha, Marco Cruz e Jorge Quaresma, Joana Perdiz, entre outros...
Foi um dia agradável. Algo cansativo mas agradável e motivador. A nossa "descendência" no karate sabe honrar a "camisola".
A organização está de parabéns. Correu tudo bem. Alguma falha que possa ter ocorrido é desculpável devido à confusão natural nestas alturas.
O nosso Real esteve em grande com muitos medalhados, como de costume. 
Parabéns a todos!!!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 de Abril...sempre?


Quando se deu o 25 de Abril eu era um jovem de 15 anos. A ditadura, para mim, era algo que impedia as pessoas de manifestarem o seu livre pensamento e a PIDE (polícia política do antigo regime), estava em "todas as esquinas" à espreita e a escutar, pronta a agarrar aquele que se atrevesse a dizer mal do sistema.
Apanhei pouco de Salazar... os chefes de Estado eram o Prof. Marcelo Caetano e Américo Tomás. A guerra do Ultramar ceifava vidas e destruía outras reclamando para si o jovem fôlego da Nação. Prosperidade? Não, não havia. A vida era difícil. Havia, isso sim, emprego. Quem estivesse disposto a trabalhar tinha sempre forma de o fazer. Os salários eram magros mas era o que havia, e tinha de dar para as despesas.
Hoje, passados 38 anos, há quem faça comparações. No tempo do Salazar é que era! Isto tinha ordem. O País tinha dinheiro.
Não há comparações sequer, a fazer. O nível de vida que hoje temos não é sequer uma sombra do que tínhamos. A tecnologia resumia-se à rádio e à TV a preto e branco com apenas 2 canais. Vivíamos na nossa "ilha" contentes com o que tínhamos porque não sabíamos nem podíamos saber, que se podia viver melhor se não estivéssemos oprimidos.
Deu-se o 25 de Abril. Contentamento geral e euforia. Somos livres! Podemos falar à vontade. Os "heróis de Abril" eram verdadeiras estrelas de cinema. O cravo vermelho assumiu-se como símbolo de uma liberdade conquistada sem derramamento de sangue. Durante os primeiros anos que se seguiram, em nome dessa liberdade, foram despojados do que tinham, pessoas que o mereciam e pessoas que não o mereciam. A "liberdade" assumiu assim, uma face de terror. Expropriações de terras (ocupações) empobreceram uns para enriquecer outros. A liberdade mudou de mãos - só isso. Podíamos falar. Palavras como "povo", "liberdade" e "democracia" enchiam as bocas de todos. Pessoas que optaram por viver no ultramar e os seus descendentes lá nascidos mas portugueses, foram recebidos no seu país quase como criminosos e alojados em "ghetos", passando a ostentar o nobre título de "retornados". Eram pessoas como nós que apenas optaram por viver noutro lugar da mesma Nação, ajudando Portugal a estabelecer territórios longe do continente europeu, mas nós quase lhes virámos as costas. 
A classe política estava no topo. Exilados políticos puderam regressar e viram-se transformados em heróis. Agarrados a esse heroísmo, depressa se encaixaram nos diversos governos e fizeram riquezas. A abertura de Portugal ao mundo trouxe-nos outros conceitos, outras tecnologias, outras formas de pensar - mas Portugal ainda não a queria. A liberdade ainda estava a ser saboreada. Não nos apercebemos que, escondida atrás da máscara da proteção, outras polícias nasciam... na sombra. Os políticos e militares sabiam da fragilidade de liberdade agora conquistada. Daí até ao completo domínio por uma classe política corrupta e imoral, foi um passo. 
38 anos depois o cenário é de devastação. Devastação mental e moral. Os princípios do respeito morreram. A tão almejada liberdade foi "contida". Pode-se falar, sim senhor. Pode-se até denunciar uma ou duas ilegalidades mas o resultado é um desmentido público com maior alarido ilibando o corrupto e denegrindo a imagem daquele que denunciou o acto.
É verdade que agora, o contexto europeu é mais abrangente e dominador. Os políticos são agora os "nossos" e ou "outros". Apoiam-se e coordenam-se de forma a oprimir mais para proteger os seus interesses. Os bancos são agora a sua fortaleza - a proteger a todo o custo.
Os sucessivos governos têm vindo a descer de nível arrumando a moral e o respeito numa velha caixa no sótão com a ideia de nunca mais a abrir. E nós o que fazemos? Concordamos e aplaudimos. "Somos um povo sem tradição de conflito" dizem eles. Portugal sabe perceber que é necessário ser "apertado" - para nos manterem quietos, em rebanho, mas dentro do redil. E nós ficamos. Quietos. Com a expressão apática que é comum ao gado que vai para o abate. E vamos deixando que nos abatam. 
A revolução dos cravos é, agora uma história que contamos aos nossos netos como se não tivesse acontecido aqui. Algumas realidades transformam-se em histórias mas algumas histórias acabam em realidade.
Portugal está à beira da aniquilação económica. A soberania portuguesa há muito que morreu e com ela, a nossa possibilidade de se desenvolver. Fomos vendidos por um governo que não sabe nem quer lidar com o elevado nível de corrupção porque ela, a corrupção, está em roda a parte. A diferença é que pode vir nos jornais - estamos em liberdade - mas nada acontece quando é posta a nu. A denuncia da corrupção é ignorada - comentada com horror, sim - mas esquecida quase imediatamente. É este o nosso "nobre povo". Somos nós.
Hoje celebra-se o 25 de Abril - o primeiro que vai ter algumas "ausências" na sua comemoração. Militares e ex-políticos recusam-se a participar nas comemoração do 25 de Abril por não concordarem com a política do actual governo - Hipocrisia! Também alguns deles consentiram e até promoveram esta situação. Enriqueceram obscenamente com o regime que criaram enquanto nós, batemos palmas e corremos para eles em época de eleições, estupidificados com a sua "nobreza de carácter". 
Acreditar na recuperação deste país é de uma ingenuidade extrema. A soberania portuguesa já não existe. Estamos enfiados numa Europa podre onde o capital grita sobre as nossas cabeças e onde os políticos se unem em consenso para proteger os seus interesse económicos, aniquilando os povos e alienando a sua riqueza.
Há quem acredita que é necessário um "novo 25 de Abril" para endireitar o país. Não sei se acredite nisto, o que acredito é que alguma coisa tem de ser feita e depressa - mas desta vez... talvez não haja espaço para uma revolução de cravos. 
Querem saber do que falo? Leiam ou releiam "O Triunfo dos Porcos" de George Orwell.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Percepção...

Encontro-me, neste momento, a desenvolver o meu estudo pessoal da kata. Sendo, a meu ver, a essência e a sublimação da técnica, a kata contém todos os ingredientes para um trabalho diversificado, podendo ser inserido no trabalho de kumite básico e avançado.
Trabalhando em conjunto com o meu amigo João Ramalho temos tido a percepção "multi-aplicável" do trabalho de kata. Desde a percepção do movimento à percepção das suas múltiplas aplicações e interpretações, trabalhar kata é essencial para uma boa compreensão da técnica.
Com o avançar dos anos, tenho vindo a trabalhar a precisão do movimento e a desenvolver "aqueles pormenores" que fazem a diferença entre a beleza estética do movimento e a sua real eficácia - bom posicionamento de pernas, equilíbrio estável e transferência da energia no momento do impacto. 
Executar Kata é, acima de tudo, equiparmo-nos com um grande arsenal técnico e mostrar aos outros e a nós próprios, o que podemos fazer com ele.
Em tempos, um dos meus alunos questionou-me, algo baralhado, sobre a aplicação "base" de uma determinada Kata visto ter visto e até praticado comigo, muitas variantes. Respondi-lhe que é tempo de nos desvincularmos da ideia de apenas uma ou duas aplicações (base ou não base), e dedicarmos algum do nosso tempo a tentar perceber a finalidade de todas e, acima de tudo, a aplicabilidade delas em situações de combate com pessoas de várias estaturas.
Se, num exame, um aluno me "presentear" com uma bunkai diferente daquelas que lhe ensinei, porque é que não hei-de aceitá-la desde que seja credível e inequivocamente eficaz? O aluno ao fazer isto está a mostrar ao instrutor que adquiriu uma boa capacidade de desenvolvimento pessoal das técnicas e que reconheceu na kata a qualidade de ponto de partida para um trabalho infinito de possibilidades.
Gosto de treinar Kata. Gosto de descobrir na Kata  novos conceitos. Trabalhei durante anos Kata em "formato estático", ou seja - preto ou branco! Agora... estou a descobrir as várias tonalidades de cinzento que estão escondidas e, acreditem, dá um enorme gozo.

Até breve

domingo, 22 de abril de 2012

Mais uma vez se cumpre o ritual - está aí a III Taça Kaizen de Karate Goju-Ryu. Com localização no Pavilhão de Casal de Cambra, este evento desportivo vai ter as componentes de prova:

Kata
Kumite
Pré-Kumite
Percurso Físico
Percurso Técnico

As 3 ultimas provas vocacionadas para os escalões mais baixos. 
Nós estaremos lá com a nossa "rapaziada" participando activamente.

Feita a postagem anterior que urgia, cabe-me aqui um esclarecimento relativamente ao "abandono" aparente deste humilde blog. Alterações (deveria dizer, complicações) a nível profissional têm-me tirado o tempo e a paciência necessários para a manutenção deste espaço. Não é por não ter nada para dizer, porque isso arranja-se - é tudo o resto.
Prometo dedicar um pouco mais de atenção e tempo a este blog. Ele merece.

Até sempre! 



domingo, 4 de março de 2012

Treino de Praia - Ericeira

Pensei em organizar um treino de praia com o "meu pessoal". Depois pensei... e se convidasse o meu amigo João Ramalho? E depois pensei... e se fosse na Ericeira, visto que o Dojo do Sensei João é por lá? E assim foi... Ele concordou imediatamente e marcou-se o treino para hoje, Domingo, dia 4 de Março. Chove? Não chove? Uns diziam que sim, outros diziam que sim mas só da parte da tarde, outros ainda que não... não chovia. Felizmente acertaram estes últimos. O dia esteve espectacular. Sol no início da manhã, um pouco nublado a meio da manhã, mas sempre uma temperatura espectacular. Eu pensava que ia pouca gente, tanto mais que não tive grande receptividade lá no Dojo, mas não... o pessoal apareceu e fez-se um treino muito bom. convidei, como de costume, o meu amigo Fernando Santos que acedeu de imediato em participar, levando com ele a simpática família. Tivemos também o Sensei Nelson Gomes e o Miguel Castelo, que se juntaram a nós naquele excelente treino-convívio. Trabalhámos essencialmente Kata e aplicações e foi muito bom. A receptividade da malta foi tanta que nem demos pelo passar das horas. Alguns dos pais dos alunos mais jovens fizeram, comigo, uma pequena aula de defesa pessoal onde nos divertimos imenso. Levámos o almoço (Ah pois!) e, no final, sentados no belo areal da Praia dos Pescadores, merendámos todos juntos.
Foi uma manhã muito bem passada onde todos treinámos mas essencialmente, nos divertimos. Os miúdos estavam felizes da vida e nós também. Foi um Domingo diferente, e agradável.
O S. Pedro também deu o seu apoio à Kaizen mantendo a chuva afastada dali. Para ele, os meus agradecimentos... sem o seu contributo teria sido complicado. Mais uma iniciativa da Kaizen com o apoio até dos santos!.
Obrigado a todos os que participaram e, especialmente aos pais que dispuseram da sua manhã de Domingo, prescindindo do seu merecido descanso, para se juntarem a nós.
Foi, de facto, muito mas muito bom! 

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Estágio de Inverno Kaizen - 2012




Foi magnífico.
Cerca de 160 participantes de todas as idades e graduações reuniram-se no Pavilhão do Alto do Moinho em Corroios, para participar no Estágio de Inverno Kaizen 2012. 
Sábado frio mas ensolarado. Dia cheio e intenso. 
Um vasto painel de instrutores composto por - Armando Inocentes, Leonardo Pereira, Nelson Pinto, João Ramalho, Marco Cruz, Jorge Quaresma, José Ramalho, Nuno Santos, Jorge Peixoto entre outros, dividiu-se entre treinos de Kihon, Kata e Kumite, passando por Karate infantil e a arte "convidada" Farang Mu Sul.
Há muito tempo que não se via um estágio com esta dimensão. Diversificado, intenso e dinâmico. Todos estiveram à altura do evento. 
A Kaizen no seu melhor. 
Melhor seria difícil...e foi bonito...muito bonito.

Nunca é demais referir que os estágios são isto mesmo, a oportunidade de ensinar e de aprender. Só é produtivo e só tem razão de ser, se for assim. E foi assim. A todos os que participaram e a todos os familiares que apoiaram, os nossos sinceros agradecimentos.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Mente e corpo...

Tu praticas Karate. Há alguns anos. Começaste por pura brincadeira… “ vou experimentar… preciso de fazer exercício”, dizias tu.  Ao fim de alguns meses já sabias que o exercício era apenas uma das satisfações que tiravas da prática desta nobre arte. Mas era mais. Muito mais. Acabas por perceber que o karate te está a transformar. Ao fim de alguns anos já não és o mesmo. Estás transformado num ser com uma mente mais aberta e receptiva. Sabes que, para dominar uma técnica tens de praticar afincadamente… todos os dias… física e mentalmente. Descobres que o teu cérebro tem sempre presente “a arte”. Dás contigo a fazer movimentos das katas com as mãos… as pessoas olham-te curiosas e só aí te dás conta que estás a treinar… com a mente em pleno contacto com o karate. Quando podes andar, corres e ao correr desafias-te a ti próprio. As graduações sucedem-se sem te dares conta. Começaram por ser uma das tuas metas mas já não são… assumes que as graduações estabelecidas por ti são aquelas conquistadas com a aquisição de uma nova técnica ou com o aperfeiçoamento de uma outra, mais “teimosa”. Estás agora num momento da tua vida em que observas os mestres com uma visão mais apurada… tentas perceber onde está o ingrediente que torna o mestre naquilo que ele é para ti: perfeito. E anseias por lá chegar mas tens consciência do tempo e acalmas a tua ânsia. Paciência foi outra das tuas conquistas, porque sabes que o tempo é que vai consolidar a tua arte. O movimento desajeitado que iniciaste e que agora te dá prazer executar é como se o teu corpo obedecesse agora a uma força exterior. A acção… a reacção… a rapidez de execução e a técnica fluida são agora os teus mestres. Tens de treinar…sabes que tens. Sabes que só assim evoluis. Observas agora os mais jovens que anseiam aprender. Reconheces neles o teu ímpeto e a tua ânsia, agora acalmados pela experiência e pelo treino mental. Lembras-te com alguma saudade do tempo em que, como uma esponja, absorvias tudo o que vias e ouvias para poderes avançar rapidamente. Contudo tens agora a satisfação de constatar que amadureceste e que o tempo, agora, não significa o mesmo que para aqueles jovens. Olhas os seus rostos risonhos quando lhes colocas à cintura o símbolo de mais uma graduação… e sorris. Lembras-te da tua própria satisfação quando ultrapassaste um obstáculo e o teu mestre te considerou apto para a graduação seguinte. Isso agora não importa. O sistema precisa das graduações…tu não. Graduas-te todos os dias quando um aluno te faz uma pergunta para a qual não encontras resposta imediata, e te obriga a investigar. Graduas-te também quando um aluno teu é reconhecido pela sua postura e pela sua técnica. Graduas-te quando um aluno que se inicia criança, continua contigo como adulto. E a Arte? Essa está sempre contigo. Sempre! Quando estás sozinho e, mentalmente organizas os treinos. Quando percebes e reconheces a tua insignificância no percurso do karate. E admiras a reciprocidade que existe na prática: Quando dás o teu máximo, recebes o teu máximo… pode demorar… mas chegarás lá, e quando chegares, a satisfação que recebes é a recompensa máxima. Não existe arte mais honesta na recompensa pessoal… não para ti.
Vives para o Karate… não vives do karate nem no karate. Para estes dois últimos, a arte não existe. Estás agora a fluir no “Do”. Não te preocupas com o tempo nem com os pequenos fracassos que outrora te perturbavam. Sabes agora que a persistência é o caminho e aprendeste a contornar obstáculos desenvolvendo o teu próprio trabalho, consolidado pela tua “teimosia”. Percebes agora que passaram mais de vinte anos. Lembras-te do teu início. Vês  nos teus alunos a tua irreverência e a tua impaciência, e sentes-te grato. Dizes-lhes que devem ter paciência, e treinar. Que devem questionar. Que devem inovar. Que devem elevar todos os valores que caracterizam o homem integro e que devem preservar os valores da Arte. Dizes-lhes também que o tempo os recompensará… porque sabes que sim, é verdade. Eles ainda não o percebem mas se forem afortunados como tu as portas do conhecimento abrir-se-ão mas o caminho que revelam… é longo. E vem-te à memória aquilo que disseste quando te iniciaste: “vou experimentar…preciso fazer exercício” e chegas à conclusão o exercício é afinal agora… a tua vida. E sentes-te grato. Reconheces que és agora uma pessoa completamente diferente…evoluída. A tua mente é viva e o teu corpo recusa a consciência da idade que agora ostentas. Reconheces nesta característica mais uma recompensa do treino, e sentes-te novamente…grato. Percebes também agora, que pertences a um grupo de amigos que partilham a tua paixão e que fazem parte de ti. E não te dás conta da forma vibrante como conversas com eles sobre o karate. – História e histórias fazem agora parte da tua vida e desenrolam-se na tua mente como um filme cheio de personagens, onde também, como no cinema, há bons e maus. Mas consegues reconhecer que os maus também deixaram marca na tua personalidade e nem sempre foi negativa. E percebes que o equilíbrio é isto mesmo. E reconheces honestamente que foste “construído” com essa matéria. E percebes que aquilo a que alguns chamam destino é afinal, um conjunto de episódios que se somam e se aglutinam formando aquilo que és. A tua vida é isso. E se o desejares e te comprometeres contigo próprio farás da tua vida o que quiseres. Terás obstáculos certamente mas não os tiveste já? E não os ultrapassaste? São quase trinta anos agora. Tentas olhar para trás mas não vês já o que vias. Vês um caminho longo, já percorrido, com montanhas e vales mas dás contigo a olhar agora para a frente. O caminho é igualmente longo e tortuoso. E não te preocupas com a idade. Avanças com a mesma ânsia controlada que te conduziu até aqui. A tua mente continua activamente receptiva e guardas a informação que recebes no teu treino, agora bem catalogada e armazenada, porque sabes que precisas de a encontrar quando fizeres o teu próprio trabalho. Adquiriste a capacidade de “criar” mas não queres guardar a tua criação só para ti. Partilhas com alunos e com outros karatekas e apercebes-te que eles estão a fazer o mesmo… e sorris. Sorris porque percebes agora que o karate é um ser vivo alimentado pelo nosso treino, que se expande e desenvolve cativando novas mentes. E percebes que a paixão pela Arte é a mesma que tinhas à 10, 20 anos e admiras-te por isso. Não percebes que estás impregnado e que a tua vida é e será sempre Karate.