domingo, 24 de junho de 2012

Gasshuku Kaizen -Senseis Arnold de Beer e José Campos

III Gasshuku Kaizen. Realizado neste fim de semana na Torre da Marinha. Orientadores: Sensei Arnold de Beer - 8º Dan Goju-Ryu e Sensei José Campos - 7º Dan Goju Ryu (JIP).
O primeiro eu já conhecia e admirava pelo seu grau de conhecimentos e pela "proximidade" do seu karate com o meu. O segundo era, para mim, uma surpresa - já o conhecia e bem, de nome, mas nunca tinha tido o prazer de treinar sob a sua supervisão. Foi uma agradável surpresa. O Sensei Campos é, de facto, um grande mestre. Comunicador e conhecedor do Goju-Ryu na sua essência, o Sensei Campos foi, para mim, uma revelação. As abordagens dos dois técnicos diferem em alguns pormenores mas não é isso mesmo o karate? Abordagens e interpretações diferentes que conduzem a adaptações produzindo novos conceitos.
Por ter tido outro compromisso não pude participar no Domingo, mas os dois dias em que participei, foram muito bons. 
Tive a oportunidade de treinar com dois amigos - Sensei Gualter e Sensei Carlos Pereira do Shito-Ryu. Tivemos a oportunidade de trocar ideias e "dissecar" as técnicas aprendidas. 
A organização teve o cunho especial do Sensei Marco Cruz que nunca se poupa a esforeços para dar um ar "profissional" à coisa. Desde os diplomas aos crachás de acesso tudo foi feito com profissionalismo, algo a que o Marco já nos habituou. Aproveito aqui para realçar duas pessoas que têm feito a Kaizen funcionar bem - João Ramalho (o nosso presidente) e Marco Cruz. Estes dois karatekas são peças fundamentais para o bom funcionamento da Associação. Embora por vezes discordem de alguns pontos, o que é bom num certo sentido, acabam por se harmonizar nas alturas próprias e fazer com que eventos deste porte sejam um sucesso. A eles rendo aqui a minha admiração. É claro que outros instrutores contribuem com o seu trabalho também e não pretendo minimizar aqui o seu esforço, apenas realçar dois grandes impulsionadores da Kaizen. Sem eles seria muito difícil conseguir estes resultados.
Resumindo, este foi um grande estágio - para todos - a simpatia, a cordialidade, a alegria de rever velhos amigos e poder treinar com eles foi, sem dúvida, fenomenal. Não posso deixar de referir aqui a presença dos meus amigos do Norte, Moreira e César que vieram "cá abaixo" treinar connosco, o que é sempre um prazer e também ao Sensei Armando que, apenas podendo participar da parte da tarde (privado de transporte por um amigo do alheio), não deixou de participar.
Devo agora referir que, eventos organizados pela Kaizen, são unicamente da responsabilidade da Kaizen. Esta Associação é que decide quem deve convidar. Pessoas que se apresentam num evento organizado por uma Associação com a qual criaram "atritos" e "mal-estares", preparadas para treinar sem "dar cavaco" a ninguém deviam pensar melhor se este comportamento é compatível com a sua graduação e "estatuto". Como as acções ficam com quem as faz, não faço mais comentários, apenas lamento, pelo constrangimento que estas situações trazem, mais nada.
Organização excelente, Pavilhão excelente, Mestres excelentes... 
Mais uma vez a Kaizen mostrou que sabe o que faz. Mais uma vez tivemos karate de alto nível, proporcionando aos participantes, um fim de semana espectacular.
À organização nas pessoas de João Ramalho e Marco Cruz deixo aqui expressa a minha gratidão e admiração. Aos (grandes) Mestres que nos orientaram nos treinos, DOMO ARIGATO Senseis.
Venha o próximo.

sábado, 23 de junho de 2012

O Penetra...

Imaginem este quadro: Eu faço anos. Como estou com muito dinheiro e gosto de estar com amigos, organizo uma festa e convido-os todos. Como prezo muito a amizade deles resolvo falar com o Bono e perguntar-lhe se quer ir com os U2 fazer um concerto na minha festa. O Bono e eu somos unha com carne e ele nunca me negaria a sua participação - a sua unica condição é que haja caracóis e pipis acompanhados de muita cerveja. Respondo-lhe logo: Ó Bono, então não havia de haver?? Até vai haver uma sardinhada em tua honra, pá!.
E assim foi... aluguei o espaço, instalei os U2 e, com a chegada doa meus amigos, dei início à festa. 
Olhando em redor dou com um "penetra" na festa. "Aquele não é meu amigo..." - dei comigo a pensar. Olhando melhor verifico que o "penetra" era um indivíduo que outrora fora meu amigo mas que, a determinada altura me tinha faltado ao respeito forçando-me a cortar relações com ele. "É preciso ter lata!" - pensei - "então este gajo não tem vergonha na cara?". 
Resolvido a pôr o indivíduo no seu lugar, interpelei-o: ""Olha lá pá! Quem é que te convidou para a minha festa? Resposta do indivíduo - Estão cá os U2 e eu, onde vão os U2 estou lá... sou grande fã!
Mas ó pá... esta é a MINHA festa de aniversário... os U2 são meus amigos e vieram à minha festa a MEU pedido, O que é que tu tens a ver com isso? - Resposta do tipo - "São os U2 meu... sou grande fã... isto é um espectáculo público! Onde vão os U2 estou lá!.
Olha que não, meu! - respondi - Tu não foste convidado e a festa é minha... assim sendo põe-te a milhas. Contrariado o "penetra" lá se foi, cabisbaixo.
É preciso ter lata, então este gajo diz mal de mim a toda a gente e agora quer ver os U2 na minha festa? - pensei. Determinado a não deixar este episódio estragar a festa, pus logo a história para trás das costas.
Depois da saída do "penetra" a festa decorreu de forma espectacular. Os U2 fizeram um concerto memorável e foi, sem dúvida nenhuma, um dos meus melhores aniversários...

Esta foi uma história para vos entreter um pouco. Amanhã faço o relato do nosso Gasshuku. Não tivemos lá o Bono nem os U2 mas foi muito bom. 

Adeus e até breve!


domingo, 20 de maio de 2012

Esta foi uma demonstração, a convite do Mestre António Duarte - responsável pela classe de KickBoxing do Real Sport Clube - na 1ª Gala de KickBoxing que decorreu na Escola Secundária Stuart de Carvalhais.

Com muito pouco tempo de ensaio (cerca de 2 aulas) esta demonstração correu muito bem, tendo o desempenho de todos sido muito bom.

Apesar de prevista para as 21.45 horas, iniciou-se perto da meia noite. A espera foi cansativa mas, no fim, correu bem.


A filmagem esteve a cargo da mãe do Ricardo Ribeiro a quem agradeço. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

A verdade... nua e crua!

Caros leitores deste "espaço de ideias". Ao "passear" pelas ruas movimentadas do conhecido Facebook, que, quer queiramos quer não, é uma "montra" de ideias e ideais, dei de caras com um "link", postado pelo Sensei Paul Coleman que vale a pena ler.
Este artigo foi escrito pelo Sensei Steve Rowe sobre o "poder" das graduações e a sua relação entre aluno/treinador.
Por ir de encontro às minhas maiores convicções e por corresponder INTEGRALMENTE à ideia que tenho sobre o assunto, não pude deixar de vos sugerir a sua leitura.
Cabe-me aqui referir que não conheço (nem bem nem mal), o autor deste artigo. Desconheço as suas competências mas abraço e assumo como coincidentes com as minhas, as suas ideias  expressas neste magnífico artigo.
Já por várias vezes aqui referi este assunto e é gratificante ver neste texto, a confirmação daquilo que entendo ser "a verdade".

Leiam, apreciem, reflictam e comentem, se o desejarem...

Saudações de um "ronin" alentejano...

domingo, 13 de maio de 2012

Aprender...

Ao abraçar a vida de karateka tenho tido uma vida repleta de experiências:

Conquistei vitórias...
Assumi derrotas...
Cultivei amigos...
Ganhei inimigos...
Consolidei relações...
Conheci diferenças...
Reconheci semelhanças...
Apanhei decepções
Aprendi com jovens e com os menos jovens...
A eles ensinei também...
Admiro a diversidade...
Contorno a adversidade...
Continuo não com a mesma energia mas com mais alguma sabedoria...

Assim tenho conseguido viver, sobreviver e continuar a aprender... com trabalho, e o apoio de um grupo fantástico de amigos que comigo trilham o caminho.

A todos os que, de alguma forma, contribuem para que eu seja melhor pessoa e melhor karateka, manifesto o meu sincero agradecimento... pela amizade e pelo apoio dado ao longo dos anos.

De uma longa lista, destaco os mais antigos, não esquecendo nunca os mais recentes:

João Ramalho, Marco Cruz, Jorge Quaresma, Nuno Santos, Armando Inocentes, Jorge Peixoto, Leonardo Pereira, Carlos Pereira, Fernando Santos; Gonçalo e Pedro Damas, Jorge Viana.

Que a vida nos continue a juntar no mesmo espírito de partilha e amizade! 

Bem Hajam.





terça-feira, 8 de maio de 2012

Kata infantil... é possível?



É mesmo possível ensinar Kata a crianças de modo a que ela seja executada correctamente? 
Sem querer parecer tendencioso no que respeita ao "conflito" velha escola vs. nova escola, acredito que sim. 
As novas tendências sobre o ensino do karate acreditam que é prematuro ensinar kata às crianças de tenra idade. Não é sequer, produtivo, indicam elas. Fruto da mistura Educação Física/ Arte Marcial, estes conceitos inovadores têm a suportá-los, estudos científicos na área, que respeito e aceito, mas com algumas condições - O Karate não é (só) educação física. É uma disciplina complexa, com códigos próprios, que se rege por regras incontornáveis - A sua origem, a sua etiqueta, o seu sistema de graduações, entre outros.
Não quero que entendam com este comentário, que me oponho à aplicação dos novos conceitos de treino onde se inclui o trabalho de coordenação motora e velocidade, associados a tarefas de carácter lúdico. Eu próprio as utilizo porque as acho fundamentais. Ao que eu me oponho é à exclusividade deste tipo de treino. Não consigo entender porque é tão difícil ou contraproducente, ensinar kata (de forma correcta) às crianças - Kata é coordenação, Kata é disciplina, Kata é equilíbrio, Kata é trabalho mental - não são estes elementos essenciais à formação dos jovens? O Karate não assenta como base no trabalho de Kata? Não é karate o que fazemos? Então qual é a dificuldade? Dá trabalho? Claro que sim. Exige muito tempo de correcção? Claro que sim.
Sem querer estabelecer paralelismos com o Japão porque tal não é possível por razões de ordem cultural, o vídeo que apresento aqui é o exemplo de Kata executado por crianças de tenra idade (quem me dera que alguns adultos que treinam comigo a executassem assim!).
A coordenação e a concentração exibidas por estes (muito) jovens praticantes é assombrosa. Só no Japão? Talvez. Mas podemos aproximar-nos disto. Com muito trabalho, sim, mas é possível.
Existem muitos karatekas licenciados em Educação Física, o que é bom. Alguns dos erros graves, dos quais ainda existem hoje "vítimas", deixaram de se cometer. Os conhecimentos sobre a fisiologia, motricidade e até, psicologia do desporto vieram trazer ao treino de karate, mais valias que permitem hoje, treinar-se mais correctamente produzindo muito bons resultados. 
Contudo não devemos esquecer que a vertente desportiva do karate é muito mais recente que a sua componente "marcial" (embora não goste muito deste termo).
Os Karatekas que nós veneramos hoje não fazem treinos segundo as "regras da educação física" - fazem-no como o faziam quem lhes ensinou. E nós seguimo-los fascinados mas depois, temos dificuldade em aceitar esse regime de treino nos nossos Dojos. Há aqui uma enorme contradição.
O Sensei Higaonna, O Sensei Taira, O Sensei Onaga, entre outros, certamente acreditam num tipo de treino que assenta em bases ancestrais e com o qual atingiram o nível que lhes conhecemos. 
Quando comecei a treinar, as aulas eram muito duras do ponto de vista físico. Não raras vezes se chegava a casa cheio de nódoas negras e umas ou outra escoriação - isso é impensável hoje em dia! - Não estou a afirmar que estava 100% correcto, mas que se obtinham resultados diferentes, é verdade. Muitos do karatekas de "topo" surgiram dessa escola. 
Karate não é só educação física - tenhamos consciência disto! Karate é uma disciplina completa e complexa, que envolve uma grande componente física. Aprendemos agora que, a disciplina aliada a bons conhecimentos de educação física são a receita para uma boa base de aprendizagem... 
Olhando para os jovens karatekas do vídeo podemos pensar: como se consegue um resultado destes? Também não sei responder mas acredito numa coisa... com muito trabalho, disciplina, tempo e paciência. Quantos de nós, com o tipo de vida que levamos, consegue conciliar e reunir estas condições? Pois é... temos muitos alunos e pouco tempo. É lixado!
Um bom dia a todos!