domingo, 2 de setembro de 2012

Nova Época

Começou uma nova época. Setembro marca o início dos treinos (para aqueles que acabaram as suas férias, claro) e é necessário preparar e organizar os treinos. 
Já tive oportunidade de organizar o plano de treinos para esta época (vantagem de não haver dinheiro para ir passar férias fora) e estou entusiasmado com o inicio dos trabalhos.
Este ano está a ser difícil, com algumas desistências por razões de carácter económico, fruto de uma crise que a todos afecta. É pena as pessoas terem de deixar de fazer algo que gostam por razões desse tipo, mas é a realidade. 
Amanhã lá estaremos para dar inicio a uma época de (espero) bons treinos e bom convívio com aqueles amigos que já consideramos família - se pensarmos bem, se calhar estamos mais tempo juntos do que com  a família. 

Espero-os a todos com ânimo para começar a trabalhar.  

domingo, 26 de agosto de 2012

O "nosso" Cérebro...

Pesquisando artigos sobre a nossa nobre arte, descobri este trabalho que explica algumas diferenças entre o cérebro do karateka e o de outro indivíduo.
É interessante referir que se trata de um estudo médico envolvendo tencologias de análise do funcionamento do cérebro e que tirou conclusões curiosas - o envolvimento de todo o corpo na execução de um simples soco que produz resultados eficazes tem origens cerebrais diferentes de praticantes de outros desportos.
 
Vale a pena ler...
 

sábado, 25 de agosto de 2012

Um treininho de cintos negros...

Na passada quinta feira foi feito um "comunicado oficial" da secção de karate do Real Sport Clube.
Esse comunicado convidava os Cintos Negros (os karatekas, não os cintos...) para um treino-convívio a realizar no Ginásio Clube da Amadora, juntamente com o Sensei João Ramalho (GNR+Kyusho) e os seus alunos.
Lá aparecemos e, entre trocas de opiniões sobre formas técnicas da Kata Seipai (que eu dei) e a Bunkai da Gekisai  " À la Taira" o tempo foi passando até que as 11 da noite se aproximavam.
Acabámos o treino e resolvemos ir beber uma "jolas" e comer qualquer coisa. Destino: Cervejaria Chafariz no Bairro do Bosque (que me traz algumas recordações, embora desfocadas por causa da cerveja que lá emborquei na minha irrequieta juventude).
De petisco, o tradicional pica-pau (este sabia um pouco a caril, não sei porquê, mas estava bom). A cervejinha bem gelada em dose certa (Imperial) escorregou pelo mesmo canal de onde sai o kiai, preparando-o para o próximo treino.
Quase à uma da manhã, saímos da cervejaria porque o Jorge Peixoto já nem abria os olhos e, de vez em quando, entrava em meditação acordado sempre pelo matraquear do João Ramalho que não se calava com a lição de História do Goju-Ryu onde teimava incluir-nos (porra, não somos assim tão velhos!). Só faltou dizer que tinha sido aluno directo do Sensei Miyagi numa altura em que ele tinha passado pela GNR e que eu era o gajo que varria o Dojo (O Peixoto preparava o chá)...
Balanço final (mas devagarinho por causa da cerveja), foi um bocado bem passado na companhia animada de grandes e bons amigos...
A repetir... mas não para já....
 
(O Carlos Ferreira escapou-se da parte final (a cerveja) pelo que deve ser o unico a lembrar-se do treino...

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Regresso aos Treinos.

Quase a terminar o merecido período de férias (para alguns) é tempo de recomeçar a queimar as calorias adquiridas e a "exorcizar" os efeitos da cerveja fresca.
Nada melhor do que umas boas sessões de Goju-Ryu onde o suor se mistura com a boa disposição.

No início de Setembro lá estaremos. Apareçam!!

Aos que ainda estarão de férias nessa altura, descansem bem que lá esperamos por vocês.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O fim das "Shitei Kata"?


Segundo este artigo, as "Shitei Katas" vão acabar. A forma standardizada de fazer uma kata vai finalmente, deixar de existir. 
Não sou (corro o risco de ser "chatamente" repetitivo) aficionado da competição. Nunca fui e, provavelmente nunca serei. Por razões diversas e que colidem todas com a ideia que eu tenho do karate. Pouco participava em competições mas desde que se inventou essa "anormalidade" a que resolveram chamar Shitei Kata, menos vontade tinha de lá pôr os meus alunos. As Shitei kata são, na minha modesta opinião, uma castração completa. A forma de desempenhar uma kata tem o cunho da sua escola e é assim que tem de ser. A competição é uma efémera fase da vida do karateka e não faz qualquer sentido produzir marcas "negativas" na sua carreira. Ao ter de executar as katas de forma diferente está a "dividir" a aprendizagem dessas katas criando-lhe alguma confusão.
Não sei qual foi a razão da retirada da Shitei Kata da  competição mas... se assim for, concordo.

Se uma kata for executada demonstrando poder, bom enbusen, kime e vigor, qual é o problema se for ligeiramente diferente de outra escola? 

Mas esta é apenas a opinião deste vosso humilde "blogger".

sábado, 28 de julho de 2012

A sucessão...

Foi com algum espanto, confesso, que tomei conhecimento, há dias, da nomeação do Sensei Tetsuji Nakamura para sucessor do Sensei Morio Higaonna como instrutor chefe mundial da IOGKF. Esta decisão foi comunicada em reunião de instrutores no World Budosai em Okinawa.
Tive o prazer de privar  com o Sensei Nakamura em Okinawa em 2004, e foi fácil perceber que a organização do World Budosai assentava quase integralmente nas suas costas. Pessoa de grande dinâmica e conhecimento, o Sensei Nakamura era, claramente, o "braço direito" do Sensei Higaonna.
Era a sucessão mais justa e natural, a meu ver. O meu espanto reside na "aceitação" por parte de alguns instrutores chefes de alguns países. Neste momento, pelo simples facto do Sensei Higaonna se encontrar ainda vivo, acredito ser pacífica e sem grandes sobressaltos, esta nomeação. No entanto, conhecendo alguns dos senhores que orbitam as cúpulas da IOGKF, não acredito neste "pacifimismo", logo que o Sensei Higaonna se retire do mundo dos vivos. Basta ler as mensagens de felicitações a Nakamura... algumas calorosas e entusiasmadas, outras frias e protocolares. 
Num "mundo" onde 7.os e 8.os Dan´s exibem credenciais e assumem lideranças, a nomeação de um 6º Dan para Instrutor-chefe mundial não deve ser "sapo de boa digestão".
A IOGKF é uma instituição de prestígio, inegável, com representação estável e sólida no Goju-Ryu mundial, mas com uma dimensão onde se denotam algumas "guerras de poder" (aliás comuns a todas as organizações mas com uma dimensão diferente), e sempre se perceberam "grupos" de influência que, por trás da organização em si, ditavam os destinos desta. Percebi mais este estado de coisas no ultimo estágio europeu em que participei (La Manga - Espanha), onde as organizações dentro da organização eram evidentes. Não é "pecado" nenhum desde que se aceite a situação e se consiga conviver  com ela.
A sucessão de Higaonna é assim entregue por este, a um oriental (também para não "contaminar" as raízes), claramente, a meu ver, numa ânsia de manter a "política" o mais afastada possível da essência da arte. 
A IOGKF é uma grande organização. Tem deixado a sua marca profunda no panorama do karate mundial sendo uma referência no Goju-Ryu. O seu grande crescimento e poder "obrigou" à criação de grupos de instrutores que procuravam (e procuram), no meu entendimento, um lugar de destaque onde as suas influências sejam impostas. Não acredito que esta nomeação de Nakamura seja do agrado destes grupos. Ela vai ser aceite (aliás já teve de ser) porque Higaonna ainda decide... logo que este estado se altere, não acredito que a "solidez" da IOGKF se mantenha. Será que estou errado? 

sábado, 21 de julho de 2012

Balanço final...

Mais uma época que está a terminar. Entramos em período de férias, para carregar baterias e iniciar os preparativos para a nova época. 
Esta foi uma época particularmente desgastante para mim. Conciliar a gestão das aulas com a gestão do meu tempo disponível foi muito difícil. Alguma turbulência a nível profissional deixou-me exausto o que me fez recorrer à reserva de energias para poder continuar. 
Isto de ter um horário profissional irregular obriga-nos a fazer muita "ginástica" para poder gerir o Dojo. Estágios, competições e eventos formativos são muito úteis e gratificantes mas exigem muito de nós. A crise económica que estamos a atravessar teve e tem ainda grande impacto na nossa vida desportiva. Quer queiramos quer não, condiciona a vida de todos. Implica sacrifícios de ordem profissional que vão colidir com a harmonia do trabalho de Dojo, que por sua vez, sai afectado por isso.  
Felizmente tenho tido todo o apoio dos yudanshas do Real que estão sempre prontos a ajudar mas que, também eles, são afectados pela conjuntura.

A Kaizen esteve muito bem nesta época (aliás como vem sendo costume), proporcionando formação técnica de grande qualidade aos seus associados. É imperativo que se reconheça o esforço que tem sido feito, tanto em recursos financeiros como humanos. Os estágios são uma peça fundamental na formação de qualquer karateka. Treinar unicamente no seu Dojo é manifestamente insuficiente. Necessitamos saber o que se faz e como se faz, fora de portas. Interagir com outras escolas e outras Associações. Perceber porque se faz de forma diferente nas outras escolas. Tivemos há pouco tempo um grande Estágio onde tivemos a rara oportunidade de treinar com dois grandes mestres de Goju-ryu. Participar num Estágio tem dois grandes objectivos: Aperfeiçoar o nosso karate e apoiar a organização. Ultimamente tem-se vindo a verificar a pouca importância dada aos estágios. Alguns alunos pensam que é suficiente treinar no seu Dojo. É errado! Todos nós convivemos diariamente com a nossa família mas isso não impede que se conviva com outras pessoas amigas e conhecidas. Questionar só é possível conhecendo várias formas de treino. As associações não são imunes à crise e sobrevivem com o apoio dos seus associados. Trazer um grande mestre para proporcionar um estágio é dispendioso e consome muitos recursos humanos. Se estas iniciativas não tiverem resposta positiva não é possível mantê-las.
Durante toda a minha vida de karateka tive de pagar (e em alguns casos, muito bem) a minha formação. Isso nunca me causou nenhum constrangimento porque tenho tido a correspondente compensação. Os valores essenciais para a vida sempre se regularam por essas regras. Nos anos 80, quando comecei a treinar, quando se sabia que ia haver um Estágio, toda a gente se mobilizava e a participação era maciça. Pagava-se mas tinha-se! Qual foi o resultado? Toda uma geração com excelente formação técnica - a grande maioria agora a ensinar aquilo que aprendeu, formando magníficos karatekas. Mesmo aqueles que não estão a dar aulas ajudam contribuindo com a sabedoria adquirida ao longo de muitos anos, com sacrifício pessoal e económico. Na década de 80 poucos tinham carro mas faziam-se 300 Km para se poder treinar num Estágio no Porto - hoje, a maioria torce o nariz para se deslocar 20 ou 30 km para a margem sul ou da margem sul para cá. A informção dos Estágios era veiculada pelo correio e às vezes, em cima da hora - e nós lá íamos - agora temos a Internet - e mesmo assim o pessoal aparece pouco. Esta mentalidade tem de mudar porque não é mentalidade de karateka... e começa pelos instrutores que têm o dever de alertar para a importância destes eventos.
Tivemos um Campeonato da Kaizen que foi um êxito. Tivemos um Gasshuku que foi excepcional. Treinámos com mestres de grande qualidade: Arnold de Beer, James Rousseau, Ryoichi Onaga, José Campos, Kevin Nason, Aivaras Engelaitis, etc. - só quem participa sabe dar o valor a esta catadupa de informação técnica...
Precisamos de rever as nossas prioridades e ensinar os nossos jovens karatekas quais devem ser as deles...
Finalizando esta já longa dissertação - estou a entrar em modo de "hibernação". Acabado o mês de Julho vou mesmo parar durante o mês de Agosto. Os meus 53 anos de idade exigem-no, e a minha "nova" netinha requer as minhas atenções. No final de Julho, vou-me "encostar" a dar largas à minha condição genética de alentejano.
A todos os meus amigos e colegas de "arte", desejo umas boas férias! 
Afinal isto não quer dizer que vou parar... vou apenas encostar e estacionar... sem desligar o motor...

BOAS FÉRIAS A TODOS!!!